Arquivo do mês: junho 2011

TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL – VIGOREXIA

Com toda certeza, a Vigorexia é uma das mais recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura, e nem foi ainda catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID.10 e DSM.IV).

A Vigorexia, mais comum em homens, se caracteriza por uma preocupação excessiva em ficar forte a todo custo. Apesar dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos, passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos, magros e até esqueléticos. Uma das observações psicológicas desses pacientes é que têm vergonha do próprio corpo, recorrendo assim aos exercícios excessivos e à fórmulas mágicas para acelerar o fortalecimento, como por exemplo os esteróides anabolizantes.

O termo Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, foi primeiramente assim denominado pelo psiquiatra americano Harrisom G. Pope, da Faculdade de Medicina de Harvarde, Massachusetts. Os estudos de Pope foram publicados na revista Psychosomatic Medicine com a observação de que cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões adeptos à musculação podem estar acometidos pela patologia emocional. As duas rexias, Anorexia e Vigorexia foram consideradas por Pope como doenças ligadas à perda de controle de impulsos narcisistas.

Apesar de todas as características clínicas da Vigorexia, vários autores não a consideram uma nova doença ou uma entidade clínica própria mas sim, uma manifestação clínica de um quadro já amplamente descrito; o Transtorno Dismórfico Corporal. Essa manifestação clínica separada seria o chamado Transtorno Dismórfico Muscular (ou Vigorexia).

 

Vigorexia ou Síndrome de Adônis

A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência dos Transtornos Dismórficos, sejam Corporais (associados à Anorexia e Bulimia) ou Musculares (Vigorexia).

O termo Dismorfia Corporal foi proposto em 1886 pelo italiano Morselli. Freud descreveu o caso do “Homem Lobo”, uma pessoa que, apesar de ter um excesso de pelos no corpo, centrava sua excessiva preocupação na forma e tamanho de seu nariz. Ele o via horrível, proeminente e cheio de cicatrizes.

Embora exista um grande número de pessoas mais ou menos preocupadas com sua aparência, para ser diagnosticado Dismorfia, deve haver sofrimento significativo e uma reiterada obsessão com alguma parte do corpo que impeça uma vida normal. Quando esse quadro todo se fixa na questão muscular, havendo uma busca obsessiva para uma silhueta perfeita, o transtorno se chamará Vigorexia ou Transtorno Dismórfico Muscular.

A busca de um corpo perfeito e musculoso a qualquer preço começa, então, a ser tratada como uma patologia. A Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, é um transtorno emocional assim denominado pelo psiquiatra americano Harrison G. Pope da Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts (veja a entrevista com Pope em Notícias PsiqWeb).

Os estudos de Pope foram publicados na revista Psychosomatic Medicine, e constaram da observação de adictos à musculação, e comprovaram que entre mais de 9 milhões de norte-americanos que freqüentam regularmente academias de ginástica, cerca de um milhão poderia estar acometido por este transtorno emocional.

A Vigorexia, como vimos pode ser sinônimo de Dismorfia Muscular (ou Transtorno Dismórfico Muscular) e não é casualidade que o nome Vigorexia rime com Anorexia.

As duas doenças promovem a distorção da imagem que os pacientes têm sobre si mesmos: os anoréxicos nunca se acham suficientemente magros, os Vigoréxicos nunca se acham suficientemente musculosos. Ambas podem ser consideradas como “patologias do narcisismo”. Alguns autores já estão atribuindo o aparecimento da Vigorexia à moda e à um estilo de vida tipo “vigilante da praia”.

Não se trata, simplesmente, de fazer exercícios para receber o diagnóstico de Vigorexia. Os exercícios orientados, com indicação médica ou terapêutica, recreativos e/ou de condicionamento continuam sendo muito bem vindos na medicina e na psiquiatria.

Entretanto, as pessoas que treinam exaustivamente, não apenas para se sentirem bem, mas para ficarem estupendos e perfeitos, são sérios candidatos ao diagnóstico de Vigorexia. Normalmente essas pessoas estão dispostas a manter uma dieta rigorosa, a tomar fármacos e a treinar duro para conseguir seu objetivo. Elas perdem a noção de sua própria corporeidade e nunca param ou ficam satisfeitos.

Os sintomas da Vigorexia se evidenciam pela obsessão em tornar-se musculosos. Essas pessoas olham-se constantemente no espelho e, apesar de musculosos, podem ver-se enfraquecidos ou distantes de seus ideais. Sentirem-se assim “incompletos”, faz com que eles invistam todas as horas possíveis em exercícios e ginásticas para aumentar sua musculatura.

A Vigorexia deve ser considerada um transtorno da linhagem obsessivo-compulsiva, tanto pela obsessão em musculatura, pela compulsão aos exercícios e ingestão de substâncias que aumentam a massa muscular, quanto pela fragrante distorção do esquema corporal.

Todavia, apesar de ser clinicamente característica, a Vigorexia não está ainda incluída nas classificações tradicionais de transtornos mentais (CID.10 e DSM.IV), embora possa ser considerada uma espécie de Dismorfia Corporal, já que também é conhecida com o nome de Dismorfia Muscular.

Redação: Dra. Ândrea Batarra – Nutricionista

O que é co dependência?

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação(Clarice Lispector)

Quando falamos de dependência química, estamos falando de um sintoma que ao longo da história da família vai sendo criado e sustentado devido a uma série de dinâmicas mal sucedidas deste grupo.

Embora estejamos falando de uma doença, é preciso identificar alguns funcionamentos que colaboram para que ela aconteça e permaneça.Estamos falando das relações familiares que se consolidam baseada numa relação de controle,de afetos que tomam direções distorcidas, da ausência de leis que organizam a vida do grupo,de dinâmicas consolidadas e enraizadas de forma adoecida, e que ao longo do tempo vão se tornando insuportáveis sob o ponto de vista psicológico.

É preciso identificar alguns discursos presentes no grupo Familiar, quando delega a alguém a causa de seus sofrimentos, permanecendo por algum tempo e até mesmo anos, sustentando a mesma fala sobre o problema. Isto se dá por algo que denominamos co dependência. Na verdade, este é um assunto que necessitamos lançar mão de várias vertentes; a psicológica, a social, a cultural, política, filosófica e assim por diante, mesmo porquê, ainda nos aproximamos de algumas constatações e não da sua totalidade. Comecemos então:

A co dependência é um processo que acontece com os sujeitos envolvidos nesta trama chamada dependência química.

Chamamos de trama, pois se tratam de equívocos sentimentais e afetivos, de verdadeiros palcos onde se travam verdadeiras “guerras” em nome de algo que ainda se sabe muito pouco.

As pessoas envolvidas nesta trama adoecem e acabam se perdendo e perdendo a sua própria sanidade. Estamos falando da própria família envolvida. Neste percurso, é muito comum acontecer diálogos improdutivos, pois ambos dialogam com a própria doença. Pouco se escuta e há um esvaziamento de significados e de laços afetivos, tornando as relações cada vez mais corrosivas, isentas de auto domínio,e discursos que mais se parecem com monólogos enraivecidos e em alguns casos discursos histéricos que não produzem nenhum tipo de transformação.

É preciso que alguém os escute para que recuperem a capacidade de se escutarem, para que haja um redimensionamento dos papéis, e uma redescoberta dos próprios sentimentos envolvidos, bem como, os lugares que cada um passou a ocupar nesta trama.

Sendo assim, se faz necessário, a escuta psicanalítica individual e ou grupal, onde se atualizam as vivências familiares e suas estruturas.

Cabe aqui uma pergunta;

Será mesmo o dependente químico que desencadeou todo este processo na família?

Redação: Dra. Suziani Rosa – Psicanalista.

O que é Dependência Química?

                                                                   “Ó pedaço de mim…

                                                       Ó metade amputada de mim,            

                                                Leva o que há de ti…” (Chico Buarque) 

A Dependência Química caracteriza-se por ser a dependência de qualquer substância psicoativa seja maconha, cocaína, crack, álcool, remédios e outras drogas. O termo “dependência” se dá pelo fato de que a pessoa dependente não possui mais controle sobre a sua compulsão pela substância psicoativa. Algo se tornou substancialmente mais poderoso do que a própria capacidade de autocontrole.

Atualmente, a organização mundial de saúde, aplica à dependência química, o registro de doença, como qualquer outra como, por exemplo, a diabetes ou hipertensão. O indivíduo que possui a doença não poderá fazer uso de qualquer substância psicoativa sem que acione a sua compulsão por tal. Usamos o termo “compulsão” para identificar o modo pelo qual o sujeito portador da dependência se relaciona com sua droga de preferência, isto é, de forma repetida, sem controle, não podendo administrar quando e como poderá parar. A dependência química não tem cura, é progressiva e necessita de tratamento. Não pode ser considerada como uma falta de caráter, ou mesmo, ausência de decisão. O dependente químico não tem controle sobre a doença, sendo assim, em muitos casos, alguém necessita tomar decisões por ele, visto que a sua própria capacidade de decisão está comprometida.

Estamos diante de uma doença como qualquer outra, porém que envolve muitos outros aspectos, pois como já sabemos o indivíduo sob o uso abusivo da droga, compromete não só aspectos orgânicos, mas como psíquicos, comportamentais, sociais podendo chegar a comprometimentos neurológicos mais graves, alguns deles, irreversíveis.

 

Por que é tão difícil parar?

A resposta está no cérebro. O uso repetido de drogas trás mudanças no cérebro que modificam suas funções. Essas mudanças cerebrais interferem com a sua capacidade de pensar com clareza, bom senso, o controle de seu comportamento, e sentir-se normal, sem drogas, distorcem a realidade, tornam o sujeito completamente a mercê da substância que ele está usando.  Essas mudanças também são responsáveis, em grande parte, para a fissura pela droga e compulsão para o uso que fazem vício tão poderoso.

Embora cada substância tenha seus próprios sintomas, todos eles possuem todo algo em comum, que é seqüestrar a mente do indivíduo para que ele não possua mais domínio sobre si mesmo, regulação emocional, capacidade de realizar julgamentos, orientação, atua na capacidade motivacional, adoecendo o cérebro, retirando sua vitalidade.

 

Sintomas da dependência química:

A presença de um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando que o indivíduo continua utilizando uma substância, apesar de problemas significativos relacionados a ela. Existe um padrão de auto-administração repetida que geralmente resultam em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga.

 

Sinais e sintomas do abuso de drogas:

  • Você está negligenciando suas responsabilidades: nada mais se torna importante. Compromissos familiares, profissionais, afetivos, pois o indivíduo durante o uso compulsivo rompe com os laços afetivos, podendo até colocar em risco o seu próprio ambiente. Negligencia horários, regras, condutas sociais e passa a transgredir valores não demonstrando nenhum sentimento ou interesse por coisas que deveriam ocupar lugar de importância e significado.
  • Você passa a assumir condições perigosas: geralmente passa-se a assumir riscos sobre si e sobre terceiros, freqüenta lugares de risco não se importando mais com autoridades que representem a lei.  Faz uso de agulhas contaminadas, e de relações sexuais desprotegidas.
  • O uso de drogas é você ficar com problemas legais, como as prisões por conduta desordeira, dirigir sob a influência da substância, ou roubar para sustentar o vício, ainda que seja do próprio lugar de convívio ou moradia.
  • O uso de drogas está causando problemas no seu relacionamento, como brigas com o parceiro ou familiares, um chefe infeliz, ou a perda de velhos amigos. O indivíduo passa a não mais corresponder a atitudes sócias aceitáveis, ficando às vezes hostil e agressivo. Demonstra inconstância, desorganização, possui um discurso evasivo e sem lógica, nega, impõe ao outro a responsabilidade de seus atos, racionaliza, e, nega, não admitindo a natureza exata de suas falhas.

 sinais e sintomas do vício em drogas:

  • Você construiu uma tolerância à droga. Você precisa usar mais da droga para experimentar os mesmos efeitos que você experimentou quando usava quantidades menores.
  • Você toma remédios para evitar ou aliviar sintomas de abstinência. Se você ficar muito tempo sem drogas, você experimenta sintomas como náuseas, agitação, insônia, depressão, suores, tremores, ansiedade e geralmente manipula situações para conseguir usar novamente.
  • Você perdeu o controle sobre seu uso de drogas. Muitas vezes você usa drogas ou usar mais do que o planejado, mesmo que você acha que você não faria.
  • Sua vida gira em torno do uso de drogas. Você gasta muito tempo usando e pensando sobre as drogas, para descobrir como obtê-los e recuperar os efeitos da droga. Todas as situações vividas são para pensar de forma compulsiva sobre a droga.
  • Você abandonou as atividades que você gostava, como passatempos, esportes e convívio, por causa de seu uso de drogas. O prazer antes vivido não ultrapassa o desejo e os efeitos produzidos pela droga. Só é possível a satisfação ao dependente quando está presente o uso da droga.
  • Você continuará a usar drogas, apesar de saber que está machucando você. Isso está causando grandes problemas em sua vida, desmaios, infecções, alterações de humor, depressão, paranóia, mas você usa de qualquer maneira. É muito comum os sintomas paranóides, no termo usual “nóia”,o que representa alucinações,delírios e distorções da realidade.

Por que alguns usuários de drogas se tornam dependentes, enquanto outros não?

Tal como acontece com muitas outras condições e doenças, a vulnerabilidade à dependência varia de pessoa para pessoa. Seus genes, idade quando começou a usar drogas, família e ambiente social desempenham um papel no vício. Os fatores de risco que aumentam sua vulnerabilidade incluem:

  • A história familiar de dependência; 
  • Abuso, negligência, ou outras experiências traumáticas na infância;
  • Os transtornos mentais como depressão e ansiedade;
  • O uso precoce de drogas;
  • Histórico de Dependência Química na família;
  • Ausência de Espiritualidade;
  • Substituição de valores;
  • Problemas de ordem emocional ou psicopatológicos.

 Redação: Dra. Suziani Rosa Silva Moreti